16 do 12

não, queridos, eu não seria capaz de descrever o dia [bizarro] que tive. menos ainda as figuras grotescas que passaram pela minha mesa - uma mistura de filme do almodóvar com pegadinha do malandro. surreal, e nada encantador. mas amanhã é dia 16 do 12, e eu hei de sobreviver.

'afinal, o que é uma mulher sem malas?'


porque hoje meu ganhador estava aberto e, além de um belo colar de prata com pingente coral, ganhei este livro da mamãe - para ler no avião. a.do.ro danuza. tanto que não resisti e acabei lendo alguns trechos [hilários], de páginas que fui abrindo aleatoriamente. trata-se de um pequeno roteiro sobre o que fazer [e o que não fazer] em quatro cidades que a autora entende essenciais: sevilla, lisboa, roma e paris. um presente bem oportuno para quem está fazendo as malas e indo para aquelas bandas esta semana - eu diria. segue um trechinho, do capítulo intitulado 'caviar e george v', para vocês se divertirem, como eu me diverti: '...para me ajudar a raciocinar, pedi uma vodka au poivre - apimentada e rosada, geladíssima; a vida começou a ficar bela, aliás, belíssima. escolhi uma assiette aux trois harengs, três tipos de arenque com creme, cebola cortada fina e alcaparras. em seguida, uns blinis, claro (os melhores de paris). mas com quê? caviar? o preço do beluga era 880 euros, cem gramas; do osciètre, 650, e do mais baratinho, o sevruga, 590. só se tivesse sido convidada pelo sultão de brunei. pedi blinis com ovas de salmão, a 33 euros os cem gramas, fiquei extremamente feliz, e o mundo se tornou um paraíso. desci a avenue george v, jurando que não compraria absolutamente nada, juramento que cumpri. tinha a intenção de ir ao hotel george v, mas, depois de duas - ou foram três? - vodkas, não deu. minha amiga tomou o rumo de casa, e eu fui flanar na direção do sena, e acabei indo a pé até meu hotel, em saint-germain des prés. uma linda e deliciosa caminhada. o george v amanhã, talvez. amanhã, com certeza. e, no dia seguinte, como tinha combinado comigo mesma: hotel george v. afinal, como não conhecer um dos hotéis mais chiques de paris? de blazer armani e jeans, entrei na portaria me achando. acho que eles também me acharam, porque foram gentilíssimos. queria tomar um chá, mas as mesas estavam todas ocupadas. fui, então, para o bar... eram cinco horas, e estava cheio; muitos jovens, que deviam ser os donos das ferraris e maseratis estacionadas em frente ao hotel. pedi um campari, disse que estava esperando uma pessoa, e o garçom, todo sorrisos, perguntou se eu não queria um jornal ou uma revista. para dar um ar de séria, pedi o le monde e, enquanto fingia que lia, fiquei observando o bar. os garçons que ficam atrás do balcão usam colete de brocado, e os que servem, terno e gravata. havia orquídeas dentro de um aquário, e em cada mesa um vasinho micro, com uma orquídea plantada... o hotel é suntuoso, mas - tem sempre um mas - contrataram um florista de los angeles. convenhamos: entre paris e los angeles a distância cultural é imensa, e o george v, cuja marca registrada era um imenso buquê de flores no hall de entrada, agora tem, espalhados por todos os seus espaços, vasinhos deitados com flores estranhas, o que até iria muito bem na califórnia, mas em paris é um insulto. apesar de todos os confortos que o hotel oferece - piscina, vários tipos de massagens, limpeza de pele, e uma sala de ginástica aberta dia e noite -, uma pessoa de bom gosto não pode deixar de se sentir agredida por aquela visão horrenda das flores, da qual ninguém escapa. precinhos: quarto normal, 695 euros, suíte especial, 4800, suíte real, 11 mil. como em paris você passa pelo menos doze horas do dia na rua, cada hora na suíte real sai por quase mil euros. no hall do hotel havia uma mulher envolta em panos, com aspecto muito simples. levava uma sacolona de tecido e um bebê no colo. achei estranho que ela estivesse ali, no hall de um hotel tão chique. logo depois encontrei a mesma mulher na loja da louis vuitton, confortavelmente instalada, tirando da sacola uma garrafa térmica e fazendo uma mamadeira para o bebê. devia ser uma princesa árabe - ou a babá de alguma riquíssima, pois, nos dois lugares, foi muito bem tratada. e agora vou ter que falar da loja vuitton... vou ter que falar. na calçada, um grupo esperava para entrar. tive a impressão de que os seguranças esperam que saia uma leva para entrar outra, mas, se você está bem-vestida - e eu estava -, com uma bolsa de grife (o porteiro conhece tudo) e aquela cara decidida de quem vai comprar, não tem problema, a porta é aberta com um simpaticíssimo 'bonjour, madame'. a lv se tornou um luxo banal - não no preço -, e de uma vulgaridade absoluta. e preste atenção na criatividade: pegaram vários modelos de bolsas lv, de várias cores e formatos, cortaram em pedaços - uns retangulares, uns quadrados, outros em triângulos -, fizeram um patchwork e montaram um novo modelo de bolsa - horrenda, por sinal. preço: 50 mil dólares. foi demais para a minha cabeça; precisei sair correndo dali. aquele vuitton clássico, de bom gosto, não existe mais. saí, passando mal, e, quando olhei para o fouquet´s, do outro lado da rua, quase desmaiei: a porta de entrada eram uns arabescos feitos de alumínio, imagine por quem? philippe starck. quero declarar, a quem interessar possa, que tenho pavor a tudo o que é feito por philippe starck. fui descendo a avenue george v, e felizmente encontrei a filial da hermès, para me refazer de tantas agruras;... respirei aliviada. o mundo ainda é possível. mas, como tinha tirado a tarde para percorrer aquele quartier, o 8ème, e já eram mais de sete horas, resolvi ir até o amargo fim e tomar um drinque no bar do plaza; decorado por quem? por um discípulo de philippe starck... diante dos últimos acontecimentos, pedi uma vodka dupla: eu merecia. lembrei daquele filme de buñuel e tive medo de nunca mais poder sair de lá, e, para não correr nenhum risco, pedi a vodka e a conta, junto. e fiquei olhando aquele mundo de jovens desocupados que passam a vida fazendo o circuito prada - vuitton - george v - plaza, e saí de lá quase correndo, louca para voltar para meu mundo. não, aquela ilha dentro de paris não foi feita para mim'.
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bom demais, né?

dilema shakespeareano

escrever ou não escrever? - eis a questão.

with or without you

see the stone set in your eyes
see the thorn twist in your side
i wait for you
sleight of hand and twist of fate
on a bed of nails she makes me wait
and i wait for you
with or without you
with or without you
through the storm we reach the shore
you give it all but i want more
and i´m waiting for you
with or without you
with or without you
i can´t live
with or without you
and you give yourself away
and you give yourself away
and you give
and you give
and you give yourself away...
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porque rodar a praça portugal iluminada ouvindo with or without you pode ser o momento mais bonito de um dia.

do you?

ain´t no sunshine lyrics

oi queridos, estou viva. são paulo foi ótimo. corrido, mas ótimo. teve marcos caruso como robert kincaid no renaissance. subversão à minha intolerância à lactose com milkshake de chocolate de 700ml no the fifties. niver da kika no charmoso apartamento da carlos comenale. pôr-do-sol no chiquérrimo skye, do unique. caminhada na paulista. massa verde no américa. pizza com amigo de fortaleza na veridiana da josé maria lisboa. apartamento novo da juju. café na livraria cultura do conjunto nacional. e centenário dos 97 anos do velhinho mais legal do planeta mais 3 anos do pequeno che guevara. na volta, caí de cabeça, tronco e membros no trabalho. estou novamente na direção acadêmica da faculdade. desta vez, ao que tudo indica, para valer. trabalhando no mínimo 11 horas por dia. numa vida severina de dar dó. rezem por mim. vou precisar. a sorte é que dezembro tá aí. e com ele as minhas férias de quase um mês inteiro, bem longe daqui. queria ir de vez, levando os meus. viveríamos felizes para sempre numa rua em que não passam carros. num país de gente qualquer, acima da linha do equador. semana passada sofremos outro episódio de violência. foi duro e me fez chorar incontrolavelmente dois dias depois. de indignação, ódio, medo, tristeza e impotência. aos poucos vamos nos livrando destes sentimentos ruins. ontem eu ganhei um daqueles globos de natal com água e floquinhos de neve dentro. está na minha mesa de trabalho, onde passo agora a maior parte dos meus dias. agito e faço uma pausa até que toda a neve tenha decantado no fundo sempre que estou estressada demais. me faz lembrar que o mundo é imenso. que as possibilidades são muitas. me acalma. hoje minha mãe armou a árvore de natal. e acenderam as luzinhas do aldeota open mall - para a alegria dos meus retornos [cada vez mais] noturnos à casa, pela desembargador moreira. daqui a pouco a alegria será geral, quando terminarem de montar a árvore gigante da praça portugal, que já está me matando de curiosidade. é, queridos, passou-se um ano inteiro. outra vez.

sampa

amanhã vou a são paulo, queridos. de noite irei ao renaissance para ver o marcos caruso de robert kincaid e lembrarei de vocês. tento mandar notícias de lá.

tears in my eyes burn

no carrinho amarelo, o cd bossa n´marley. com vários repeats para a versão de waiting in vain.
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a propósito, fui ao oftalmologista para um exame que me custou a bagatela de 700 contos. o plano de saúde me ressarcirá uma parte, ínfima. e estou certa de que o colírio que me pingaram nos olhos era de pimenta.

saravá, poetinha!

porque ele completaria hoje 96 anos de paixão.
saravá, meu vininha!

fim de findi

[o outono no kansas - direitos autorais gentilmente cedidos pela ju]
o sagrado almoço de sábado com os meus. a companhia inigualável da minha mãe e da nini para escolher o vestido que usarei, como madrinha, no casamento da chel e do nic [nossos vizinhos aqui na 'portelinha']. as cores do outono na terra da dorothy, que fazem uma amiga querida lembrar de mim no hemisfério norte [sim, amber is the color of my energy]. os emails impublicáveis trocados com clarita del valle. a noite de salamanca, e sua catedral iluminada, vista [pelo skype] da janela do apartamento da camis, na qual me debruçarei pessoalmente em janeiro. mais da metade dos trabalhos dos meus orientandos devidamente lida e rabiscada. a dieta da carolina dieckmann reiniciada. o william bonner no marília gabriela entrevista. a expectativa pela nossa semana jurídica no vila galé a partir desta quarta. a espera pel´as pontes de madison no teatro renaissance no feriado de 2 de novembro. e a perspectiva de uma mudança de vida considerável a qualquer momento a partir da semana que começa dentro de 1 minuto.

buon compleanno, nono!

e hoje meu nono luís - o velhinho mais legal do planeta - fez 97 anos. ê coisa bonita é ter quase um centenário de histórias para contar nesta vida! gente, eu preciso dizer que ele é muito fofo. e tão especial que eu gostaria de poder levar cada um de vocês para conhecê-lo. entre outras coisas porque, por mais que eu tente descrevê-lo, sinto que jamais conseguirei dimensionar sua fofura, sua gentileza [ele é, de longe, a pessoa que eu mais imediatamente consigo relacionar à palavra gentleman], sua lucidez, seu otimismo. não deve ser fácil chegar aos 97 tendo visto partir todos os seus amores e amigos. e eu sei que para ele não foi, não é. mas ele não se abate. e vive bem. e sorri. e cantarola. e sai sozinho e me compra cerejas de verdade. e faz planos. planos para um futuro que eu sei que no íntimo ele pressente que não chegará. mas ele não se abate. deve haver um momento na vida em que a morte nos pareça menos assustadora. por hora eu quase choro ao ouvir, enquanto dirijo: "do you realize - that you have the most beautiful face? / do you realize - we're floating in space? / do you realize - that happiness makes you cry? / do you realize - that everyone you know someday will die? / and instead of saying all of your goodbyes / let them know you realize that life goes fast / it's hard to make the good things last / you realize the sun doesn't go down / it's just an illusion caused by the world spinning round..."
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life is going fast. e nós estamos envelhecendo.

feliz dia meu!

não me desejem feliz dia 11 de agosto, queridos. porque, a despeito de ter um número de inscrição na oab, não me sinto advogada. nunca me senti e, a bem da verdade, preciso dizer que, com o passar do tempo e o caminhar da vida, sinto-me cada vez menos.* e não seria exatamente correto dizer que faltou-me tentativa. mais honesto, certamente, seria admitir que, a despeito de minha relativa boa-vontade, todas as tentativas de assumir a profissão me restaram absolutamente infrutíferas. a mais recente delas, inclusive, deixando-me, a mim e à minha pretensa sócia, com um estoque de 300 cartões de visita verticais, muito bem elaborados, em tons de laranja, café e prata, nos quais se lê barroso nóbrega advogadas associadas e um número de telefone que acabou encontrando outra serventia. em contrapartida, estejam a vontade para me desejar feliz dia 15 de outubro, porque me sinto cada vez mais professora. cada vez mais consciente da inconsciência divina da escolha que fiz aos 17, quando eu sequer pressentia a importância dela na formação da minha persona. desejem-me feliz dia 15 de outubro, queridos, porque preencho cada vez com menos hesitação o campo 'profissão' dos formulários que, vez por outra, me toca preencher. e escrevo, onde muitas vezes só caberia a palavra 'advogada', com muito orgulho e absoluta convicção: 'professora universitária'. outro dia, pensando a respeito, percebi que acabei repetindo a história profissional de meu avô oscar, pai da minha mãe. professor oscar, um ser especialíssimo que formou-se em direito [sem jamais advogar], fundou um colégio, viajou o mundo, publicou três livros de poesia e acabou sabiamente seus dias cortando bananeiras na serra de ibiapaba. e eu, que levo todas as coisas muito a sério nesta vida, senti uma responsabilidade imensa nesta espécie de continuidade que sou de meu avô. e fico feliz, meu povo, tanto que quase não caibo em mim, quando percebo que dou para a coisa, que estou no lugar certo, que poucas coisas me cairiam melhor do que um pincel atômico nas mãos, que minha voz é boa e meu vocabulário apropriado, que meus alunos me consideram articulada e eloquente [de longe os melhores elogios profissionais que já recebi], e que riem de mim, e me acham meio doida, quando faço minhas graças para que eles aguentem firme até o final da aula, o final do mês, o final do semestre.
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*em tempo: gostaria de esclarecer que, contrariando a nota que saiu hoje num jornal daqui, não estou apoiando especificamente ninguém para as próximas eleições da ordem. na verdade, não tenho idéia de porque meu nome saiu naquela listagem, se nem votar eu voto, já que solicitei a suspensão temporária do meu número [e do respectivo pagamento] da oab por não estar exercendo a profissão. registre-se, no entanto, que não tenho absolutamente nada contra o candidato, embora não tenha achado correta a utilização não autorizada [sequer consultada] de meu nome e do de outros colegas. não apóio ninguém e apóio a todos. faço questão de não me envolver no jogo de vaidades e troca de interesses que são estes pleitos. espero, apenas, que vença o melhor. ou que, se não, faça o melhor aquele que vencer.

almas afins - parte III

e disse o meu troço que sua alma flutua, entre outros lugares, pelo mam de salvador e pelo pôr-do-sol do farol da barra, por entre os barquinhos atracados no cais da barceloneta e por um cantinho específico da beira mar de fortaleza... e eu aqui overpensando, com os meus botões, por onde flutua a minha alma mesmo não tendo estado [pelo menos nesta encarnação], ainda, o meu corpo:
... por entre o branco caiado e o azul egeu de santorini...
... pela atmosfera caliente de málaga - 'la ciudad del paraíso'...
... pela ponte carlos, em praga...
... pela praça vermelha, em moscou...
... pelo ar rarefeito de machu pichu...
... por entre as ruas labirínticas de fez, no marrocos...
... sobre a paisagem lunar da capadócia, na turquia...
... sobre a imensidão terracota do gran canyon, no arizona...
... e pelos alpes do tirol, na áustria.

caminante, no hay camino...

... se hace camino al andar.
[antonio machado, poeta sevillano]
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antonio machado dá nome à calle em que morei, em madrid, num bairro de nome sugestivo para abrigar uma alma com a minha: ciudad de los poetas. na verdade, meu prédio tinha por endereço a calle valderrey, mas a rua da frente, onde pegávamos diariamente o 127 [até cuatro caminos], e ocasionalmente o 132, e onde hoje se pode pegar o metro, era a calle antonio machado. ao olhar para esta foto, tirada este final de semana pela lulu - uma menininha fofa, bem parecida comigo quando tinha a idade dela [3 anos] - lembrei-me, imediatamente, deste poema do poeta andaluz. sei lá, achei poética a foto. e tão a cara deste caminho que tive de trazê-la para cá.
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o final de semana foi atípico, queridos. sem as cores, os cheiros e os sons da cidade. sou uma urbanóide convicta, mas passar 48 horas longe de tudo, e de quase todos, e perto apenas do céu, do mato, dos pássaros, e ouvindo a ave maria de gounod, vinda como que do além, às 18h em ponto - minha hora preferida do dia - foi revigorante e um bálsamo para a minha saúde mental/espiritual. foram dias de friozinho de 15ºC em pleno ceará, numa casa linda [construída pelos jesuítas no século XIX e comprada pelos antepassados de nossos anfitriões na década de 30 do século passado], cheia de histórias e de espíritos, no alto da serra de guaramiranga. dias de boas conversas, regadas a bons vinhos, tintos e rosés. de sauna quente e banhos de piscina gelados. de bossa nova serra acima e serra abaixo. de crianças adoráveis, cada uma com sua personalidade já absolutamente definida, a despeito de a mais velha delas ter apenas 6 anos completos: gabriel, ana alice, julia [sem acento, como ela gosta de explicitar] e luíza. e de contato com uma história triste, que me partiu o coração e me fez overpensar [mais ainda!] na vida e no que há de haver por trás de todas as coisas deste mundo.

que país é esse?

o tiroteio que estampa a primeira página dos jornais de fortaleza de hoje aconteceu bem diante da minha fuça, na manhã de ontem. estava eu na frente deste mesmo computador do qual vos escrevo agora, dando uma de home officer, trabalhando no pdi [plano de desenvolvimento institucional - prospecção do crescimento da faculdade para os próximos cinco anos, herança do período que passei interinamente na direção], quando escuto dois estampidos secos e penso: 'que diabo é isso?' continuo digitando e, segundos depois, mais três estampidos secos. quando já estou quase levantando para ver do que se trata, mais uma seqüência, desta vez de pelo menos mais seis ou sete estampidos secos. então, num ato inconsciente, e contrariando a relativa inteligência de que me julgo possuidora, corro para onde? para a janela do meu quarto. detalhe: no primeiro andar do prédio-camarote, diante da rua onde acontecia talvez o maior caos já vivido numa manhã de segunda-feira nesta 'pequena e pacata cidade de miracema do norte'. em tempo, ainda, de ver a cena: os carros debandando em ré; os passantes e as buzinas gritando; os serventes de pedreiro que trabalham nas fundações da construção da frente rodopiando como peões, divididos entre o instinto de proteger-se e a curiosidade pelo inesperado; as varandas subitamente enchendo de vizinhos; a caminhonete preta completamente baleada; e o bandido correndo, com a arma ainda em punho, e entrando num carro que, salvo engano, subiu a rua na contra-mão. e eu, inerte, diante da janela, com o coração a sair pela boca e as pernas tremendo. sem realizar, ainda, que eu não deveria estar ali, mas bem escondida debaixo da mesa de jantar, atrás do sofá do escritório, ou no buraco que ainda espera pela máquina de lavar roupas. e vocês hão de estar se perguntando em que morro eu moro, né? mas eu moro na zona mais nobre da capital cearense, queridos. e digo que num raio de não mais do que quatro quarteirões do cruzamento em que aconteceu o fato [e no qual eu perco pelo menos dois minutos dos meus dias, diariamente] estão dez entre os dez endereços mais caros da cidade - o que justifica, certamente, a tentativa de seqüestro que a polícia investiga agora.
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passado o susto, frustrado o seqüestro, fora de perigo o baleado e foragidos os bandidos, a pergunta que ainda resta é essa: que porra de país é esse?

.por onde andei.

.por onde andei.
.pela incrível plaza de españa, em sevilla.

.pelo fabuloso parc güell, em barcelona.

.pela recoleta, em buenos aires.

.pelas muralhas de óbidos.

.pela nascimento silva, em ipanema.

.pela cidade alta, em salvador.

.pelo pico alto, em guaramiranga.

.pelas charmosas ruas de sintra.

.pela torre de belém, em lisboa.

.pelas margens do douro, no porto.

.pelo casco viejo, em santiago de compostela.

.pelo meu retiro, em madrid.

.caminham comigo.

.plágio é crime e atestado de burrice.

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.presentinhos.

.presentinhos.